O Festival

Chapéus na Rua é um festival de artes de rua que acontece anualmente desde 2016, no Largo do Intendente, em Lisboa, Portugal. 

Nasce da vontade de dinamizar o espaço público através das artes de rua, por sentirmos que a rua está cada vez mais longe das comunidades, e que a cultura é uma bela forma de as reaproximar.

Durante três dias, as ruas do centro de Lisboa enchem-se de artistas de circo, malabaristas, acrobatas, palhaços, marionetas, estátuas vivas, poesia improvisada, dança, teatro, performance, música e qualquer outra coisa que a imaginação possa adivinhar. 

O festival promove a arte de rua como uma peça estrutural da expressão artística urbana, quebrando com o paradigma do artista de rua como sinónimo de arte pobre, ultrapassando as paredes dos museus, das galerias e das grandes salas de espetáculos, para levar ao público uma forma de arte acima de tudo humana, próxima e surpreendente. 

Os artistas farão as suas performances e no final passarão o seu chapéu para que o espetador, consoante a sua opinião e dentro das suas possibilidades, dê uma contribuição pelo espetáculo a que assistiu. A isto se chama Busking ou Passar Chapéu e é uma prática antiga de atuar em espaços públicos onde a presença ou entrada é livre e a remuneração dos artistas decorre das contribuições do público através do uso do chapéu. 

O Busking

O Festival Chapéus na Rua, tal como o nome indica, inspira-se numa tradição milenar onde o teatro primava por um contato mais direto – e necessário – com a plateia, manifestando-se, nos mais de dois mil e quinhentos anos da história do teatro ocidental, nas ruas e espaços abertos da Polis. 

A prática tradicional de passar o chapéu, cuja documentação histórica remonta ao período medieval, foi profusamente proibida, restringida ou evitada. O artista de rua não deve depender exclusivamente dos projetos e das instituições que os apoiam e/ou contratam, mas também da relação que estabelece com a população, sensibilizando-a para a sua respetiva responsabilização.  

A passagem do chapéu contribui para a educação do público no que concerne à valorização das artes apresentadas na rua, não sendo apenas uma questão de manter uma tradição pelo seu “charme” medieval, mas também contribuir para uma maior sustentabilidade das suas práticas, propondo uma bilheteira democrática onde cada espectador decide o valor de doação.

Objetivos

Nasce da vontade de dinamizar o espaço público através das artes de rua, por sentirmos que a rua está cada vez mais longe das comunidades, e que a cultura é uma bela forma de as reaproximar.

O festival tem como objetivo criar uma relação entre as artes do espetáculo e os processos de regeneração urbana e social. Surgindo como resposta a questões como:

Porque é o espaço público tão vazio de personalidade? Qual é o público? Qual é a sua identidade? Como podemos ocupá-lo e utilizar a cultura para reactivar o seu uso? Como evitar que o espaço público se torne privado? Qual o impacto das nossas atividades nesses espaços? Que papel têm os vários agentes? O indivíduo, as associacoes, os comerciantes, a autarquia…

O festival pretende mostrar que a arte de rua não é pobre, que a cultura é inclusiva e deve estar ao alcance de todos!

O principal objetivo é quebrar as diferenças de acesso à cultura e fazer com que a arte seja alcançável por todos os cidadãos, incluindo os que, pela grande desigualdade social, não têm condições para usufruir do programa cultural que a cidade oferece.

Programação

Desde a primeira edição em 2016, o festival trouxe a Lisboa 73 artistas, de 45 companhias, das quais 35 Nacionais e 9 Internacionais. Foi visto por mais de 10.000 pessoas e entreteu fãs, curiosos, passeantes, comerciantes, famílias, jovens, idosos, sem abrigo, durante cerca de 100 horas!

O festival procura apresentar uma programação variada de artes de rua, sendo que se tem vindo a focar nas artes circenses, como o malabarismo, acrobacias, mastro chinês, trapézio mas também música, dança, workshops…

O programa inclui artistas nacionais e internacionais, tendo sido representados países como a Argentina, Espanha, Inglaterra e Alemanha.

Localização

O festival centra-se no Largo do Intendente num desaguar de culturas, ritmos e atividade todo o ano. 

Estende-se pelos mercados da Freguesia de Arroios, Campo das Cebolas, e culmina com espetáculo de encerramento no Chapitô.

Comunidade

O festival trouxe pessoas de todos os extratos sociais a conviver no mesmo largo, mostrando que o circo é uma arte que toca a todos. Criou relações entre os locais [lugares e pessoas], criou pontes, quebrou paradigmas e desmistificou estigmas sociais. Fez as pessoas movimentar na cidade e experimentar novas formas de estar.